Pontos Principais
Os mercados de grãos apresentaram alta impulsionados por dados favoráveis do USDA. Estoques de milho e trigo dos EUA abaixo do esperado, somados ao clima quente na Europa, sustentaram os preços, embora o trigo europeu tenha sofrido pressão da colheita e as condições das safras francesas tenham piorado de forma acentuada. As atenções agora se voltam para o relatório WASDE desta semana, com a expectativa de volatilidade à medida que os traders ponderam o potencial de aumento na produtividade do milho dos EUA frente a uma provável revisão para baixo na produção de milho da França.
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Os mercados de grãos apresentaram alta após um relatório favorável do USDA sobre a área de plantio e os estoques, assim como devido à continuidade do clima quente na Europa. O trigo europeu sofreu queda devido à pressão da colheita, enquanto as condições das safras francesas despencaram.
O milho de Chicago agora se afastou da região de USD 4 por bushel depois que a área de plantio do milho permaneceu inalterada, eliminando o risco de uma área de plantio maior que teria justificado um mercado abaixo de USD 4 por bushel. Porém, o foco do mercado agora se volta para o relatório WASDE de julho, previsto para esta sexta-feira, sendo a produtividade do milho a principal variável que pode movimentar os preços.
O último relatório WASDE indicou uma produtividade de 183 bushels por acre — abaixo dos 186,5 bushels por acre do ano passado e, portanto, abaixo da tendência. No entanto, as condições climáticas têm sido favoráveis e a disponibilidade de fertilizantes não deve mais ser um problema; assim, existe a possibilidade de observarmos uma produtividade mais elevada no próximo relatório WASDE, o que exerceria pressão de baixa sobre o mercado.
Em relação aos fatores de suporte, o impacto da onda de calor na França sobre a produtividade do milho ainda precisa ser avaliado, e a queda de 18 pontos percentuais nas condições das safras de milho registrada na semana passada não é um sinal animador.
Com o mercado focado no relatório WASDE de julho que será divulgado nesta semana, deve haver mais uma semana de volatilidade. Acreditamos haver risco de uma produtividade mais elevada para o milho, o que implica risco de queda para o preço de Chicago, enquanto também deve haver uma revisão para baixo na produção francesa de milho.
Não há alterações em nossa estimativa para o milho de Chicago, com média de USD 4,4 por bushel para a safra 2025/26 (de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Dados Favoráveis sobre os Estoques e o Clima Quente Sustentam o Preço do Milho
O milho de Chicago abriu em baixa na última segunda-feira, antes do relatório da área de plantio esperado na terça-feira. No entanto, apresentou alta após a publicação do relatório na terça-feira e continuou se fortalecendo durante o resto da semana, sustentado pelo clima quente que atingiu as principais áreas produtoras de milho. Por fim, fechou a semana em território positivo.

O relatório do USDA sobre a área de plantio e os estoques trimestrais, divulgado na última terça-feira, foi favorável tanto ao milho quanto ao trigo.

Fonte: USDA
A área de plantio do milho ficou em 95,3 milhões de acres e a área colhida em 87,4 milhões de acres, inalteradas em relação ao relatório WASDE de junho. O mercado esperava uma faixa entre 95 e 96 milhões de acres; portanto, como o número ficou praticamente no meio dessa faixa e inalterado em relação ao relatório WASDE de junho, não gerou impacto no mercado. No entanto, os estoques de milho dos EUA em 1º de junho eram de 5,3 bilhões de bushels — um aumento significativo em relação aos 4,64 bilhões de bushels do ano anterior, mas abaixo da expectativa do mercado de 5,4 bilhões de bushels —, o que impulsionou o mercado após a divulgação.
Além do relatório favorável, uma onda de calor com previsão de durar todo o fim de semana e avançar pela semana atual deu suporte adicional ao milho de Chicago durante a segunda metade da semana passada.
Trump não renovou o acordo comercial EUA-México-Canadá (USMCA), que entrou formalmente em revisão em 1º de julho. Essa decisão não suspende os termos do acordo, já que estes permanecem em vigor, a menos que algum país se retire mediante aviso prévio de seis meses. No entanto, ela abre um período de negociação caso se pretenda prorrogar o acordo para além de 2036.

Em relação à Europa, uma associação de produtores franceses afirmou que a produção de milho pode despencar 30%, atingindo o menor nível em 26 anos, já que muitos produtores não conseguiram realizar o plantio. Esse cenário acompanhou o relatório sobre as condições das safras divulgado na última sexta-feira, no qual a avaliação das condições do milho caiu 18 pontos percentuais.
O plantio de milho nos EUA está praticamente concluído, e sua condição foi classificada como 67% boa ou excelente, em comparação com 68% na semana passada (uma queda de 1 ponto percentual) e 73% no ano passado. O plantio de milho na França está concluído, e sua condição foi classificada como 58% boa ou excelente, em comparação com 76% na semana passada (uma queda de dezoito pontos percentuais) e 78% no ano passado. O plantio de milho na Rússia está concluído. A colheita do milho de verão no Brasil está 95,3% concluída, em comparação com 95,4% no ano passado e a média de cinco anos de 94,9%. A colheita do milho Safrinha está 18,8% concluída, em comparação com 17% no ano passado e a média de cinco anos de 24,6%. A colheita de milho na Argentina está 52,9% concluída.
Dados Favoráveis do USDA Impulsionam o Trigo
O trigo sofreu pressão da colheita e registrou uma leve queda na Europa, apesar da piora adicional nas condições das safras francesas. No entanto, o trigo de Chicago apresentou alta, impulsionado pelos dados favoráveis do relatório dos EUA sobre a área de plantio e os estoques trimestrais.

A área de plantio do trigo nos EUA ficou em 42,7 milhões de acres, abaixo dos 43,8 milhões de acres projetados no relatório WASDE de junho e abaixo das expectativas do mercado, de quase 44 milhões de acres. Além disso, os estoques de trigo dos EUA em 1º de junho totalizaram 920 milhões de bushels — um aumento significativo em relação aos 855 milhões de bushels do ano anterior, mas abaixo da expectativa do mercado de 934 milhões de bushels —, o que ajudou a sustentar uma semana positiva.
A colheita do trigo de inverno nos EUA está 48% concluída, em comparação com 34% no ano passado e a média de cinco anos de 39%, e sua condição foi classificada como 26% boa ou excelente, em comparação com 26% na semana passada (inalterada) e 48% no ano passado. O plantio do trigo de primavera nos EUA está concluído, e sua condição foi classificada como 57% boa ou excelente, em comparação com 54% na semana passada (um aumento de três pontos percentuais) e 53% no ano passado.
A condição do trigo francês foi classificada como 68% boa ou excelente, em comparação com 76% na semana passada (uma queda de oito pontos percentuais) e 76% no ano passado. A colheita está 26% concluída, em comparação com 9% no ano passado e a média de cinco anos de 5%. O plantio de trigo no Brasil está 87,3% concluído, em comparação com 63,8% no ano passado e a média de cinco anos de 73%.
Em relação ao clima, uma frente fria deve trazer temperaturas mais amenas para o noroeste da Europa, assim como para o leste europeu e a região do Mar Negro, amenizando a onda de calor dos últimos dias. No entanto, a previsão é de que o sul da Europa, incluindo a França, continue registrando calor intenso.
O Cinturão do Milho nos EUA deve continuar quente, porém úmido, o que deve ser benéfico para o desenvolvimento do milho. Poucas ou nenhuma chuva são previstas para a região Centro-Sul do Brasil, após várias semanas de precipitações. A Argentina deve enfrentar condições climáticas muito frias e chuvosas.
